terça-feira, 18 de setembro de 2012

GREVE: Reunião com parlamentares na UFPI- VÍDEOS

Reunião dos Professores e estudantes da UFPI com a bancada parlamentar federal do Piauí, cobrando apoio e modificações no Projeto de Lei do Governo Federal 4.368/2012,  que piora de forma enfática a situação da educação superior Brasileira. Todos parlamentares federais deputados e Senadores foram convidados, porém somente compareceram os deputados Osmar Jr., Jesus Rodrigues. E o senador da República, Ciro Nogueira.
De antemão não façamos nós, cidadãos conscientes de nosso papel para com o futuro da educação no Brasil, a opção de ser contra ou a favor da pauta da educação pública federal superior, ou de uma greve sem ao menos entender esse projeto lei do governo, sem ao menos lê-lo, como demonstraram que não o leram nossos parlamentares.
Este é o link do Projeto de Lei; Projeto de Lei 4.368/2012

E aqui vão alguns links com análises jurídicas deste projeto;
Análise Jurídica da UFRJ / Análise Jurídica de Rodrigo Peres Torelly OAB/DF n.º 12.557 
Análise Jurídica da ADUFPI / Quadro comparativo das propostas ANDES VS GOVERNO

Bom... Dado essas leituras, abstrai-se dos que tenham um sentimento de compromisso para com a coisa pública, no mínimo um nojo descontente com esse (Com o perdão da palavra) lixo que o governo propõe, e que possivelmente deve ser aprovado até o dia 31 de dezembro, aliás este PL não pode ser considerado lixo, pois o lixo é reciclável, e podemos alterá-lo dado as nossas intenções de buscar um melhor destino para ele, no entanto este projeto de lei, pelas falas dos nobres parlamentares é quase que impossível não ser aprovado (DEPENDENDO DO CONGRESSO, OBVIAMENTE). As colocações dos nobres políticos dão o tom da escala em mi menor; "A base aliada é forte no congresso..." "Não podemos fazer muito sem apoios..." 
Que o governo tem maioria; Já sabíamos.
Que o PROIFES é uma entidade vendida e que assinou este acordo que acaba com a educação; Já sabemos.
Que a sociedade infelizmente se informa pela grande mídia e incorporar parte do lixo tóxico; É um fato.
Que os parlamentares só podem vetar, ou corrigir este PL devido a pressões da sociedade e dos Professores e Estudantes; SABEMOS E DEVEMOS EXERCER TAL PRESSÃO.
Filmei o que pude devido a memória de meu tablet, de certo que o que ficou de mensagem para este ingênuo estudantes, é que; Ou enfrentamos este governo, e este projeto de sociedade que aí está de forma ampla, ou ficaremos "Parados com a cabeça nas nuvens e os pés no chão".
A partir daqui despeço em palavras escritas e vos deixo com quase a totalidade dos vídeos, e os deixo livre para tomarem suas próprias conclusões. Obs; Os vídeos estão em ordem, ao assistir todos, entenderão que a gravidade do problema social e político que vivemos é maior do que podemos prever.

SHALOM.



Fala do Professor Joaquim na ADUFPI



Fala de Leôndidas Freire Jr. na ADUFPI


Fala do Prof Cardoso na ADUFPI

Fala da Professora Beatriz na ADUFPI

Fala do Professor Alexis Leite na ADUFPI


Fala dos parlamentares na ADUFPI


Fala da Professora Valéria na ADUFPI


Fala da Professora na ADUFPI


Fala do Professor Magnus Pinheiro na ADUFPI



Fala do Professor de Educação Física na ADUFPI



Fala de uma Professora de Bom Jesus na ADUFPI


II Fala de Leôndidas Freire Jr. na ADUFPI



Ultima fala Dep Jesus Rodrigues



*Notinha de rodapé:
O chamado "aluno" era eu...

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

ABSURDO Vejam a fala do PSTU no SENADO!!! Isso eles não divulgam...

Fiquei revoltado com esse absurdo, a fala do Senador foi ultrajante...
Confiram vcs mesmos; http://migre.me/aH0dk

Triste, isso é uma afronta a população Brasileira e a classe trabalhadora.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

INCÊNDIO NA UFPI !!! VÍDEO


Nesta quinta-feira 15 de Agosto, eu e alguns amigos estávamos indo embora da UFPI, nos deparamos de longe com um clarão em meio a mata da Universidade, ao me aproximar com o carro, ficamos perplexos, tratava-se de um incêndio de proporções assustadoras, estava com uma câmera no carro logo pensei em filmar para quem sabe assim, talvez possa servir como uma possível prova, ou registro para investigação por parte das autoridades responsáveis, descobrirem como se deu este incêndio. Pelas imagens obtidas as pressas e em condições perigosas, não traduzo infelizmente a dimensão de quem estava próximo aquela cena. Ficamos com medo pois sentíamos que o fogo se alastrava rapidamente, e como podem perceber a fiação elétrica da UFPI, muito bem pensada e planejada fica muito próximo a mata, e o fogo também se espalhava ao lado dos novos prédios de um novo centro (Construídos as pressas com totais preocupações ambientais, de importância real, e de localização sensacional).
Outra coisa que me deixou aflito também, fora a questão da estrada que leva nada a lugar nenhum, e que o fogo se alastrava na sua rota, uma pessoa que entrasse com o carro pelo outro lado, não quero nem pensar no que poderia acontecer. 
Felizmente, embora o fogo estivesse se espalhando de forma preocupante, os bombeiros passaram para o local assim que saímos, aliás saímos com medo pois rapidamente o fogo começou a crescer na nossa direção, sentimos o calor imenso, e crescia também próximo aos fios de alta tensão, onde o carro estava próximo...
O segurança da UFPI afirma que foi um incêndio criminal, é válido nos lembrar que ultimamente Teresina, nem parece tão THEAMO assim... Incêndios por toda a parte, os próprios Teresinenses mostrando seu amor pelo Meio Ambiente da cidade...



Sinceramente espero que este incêndio seja realmente investigado, e que a partir de agora, passemos a refletir um pouco mais, e de forma mais descentralizada as obras que deveríamos fazer em nossa Universidade, e em que condições... Verticalizar por enquanto nem pensar, parece bem melhor causar impacto ambiental, devastar mais áreas verdes, em nome de um sentimento de Viver a UFPI!!! Temos até uma diretoria do Diretório Central dos Estudantes relacionada ao Meio Ambiente, que na gestão do PCdoB da UJS, demonstrou claramente sua preocupação com o meio ambiente... É essa mesma chapa aí que agora vem com o número dois, e convida estudantes pra debaterem uma greve em um Circo... E tenta eleger um vereador de "luta" o famoso caçador de um microfone pra dar entrevistas... Depois vem gente e comenta no meu blog, ONDE OS COMENTÁRIOS SÃO LIVRES E JAMAIS CENSURADOS, que sou o palhaço... Eu sou um Palhaço, sim eu, como diria a música "Sou um palhaço de um Circo [infelizmente] sem futuro, com um sorriso pintado a noite inteira.O cinema do fogo numa tarde embalada de poeira. Circo pegando fogo. Palhaçada..." (Cordel do Fogo Encantado)


sexta-feira, 13 de julho de 2012

Reitor milagreiro de uma IF no Piauí, junto com dois super pró-reitores ressuscitam um robô!!!


O causo ainda foi pouco divulgado pela imprensa local, outros casos de PROvidencias REIntegradas de TORnar, DE ver, a ADMINISTRAÇÃO dos hospitais da capital FAbricarem mais cuidados, mais ZElos etendeNDO a necessidade COM que o piauí tem, no que se refere a uma melhor saúde, mais tudo isso parece uma iLUsão, ISca estando JUnto a um NIvel OR ganizaCional mAis coMPlexo, onde a política privada pra saúde é uma festa e tudo acaba não em pizza, mais em lasANHA,  DE UM VERDADEIRO FRACASSO QUE É O CAOS EM NOSSA SAÚDE, E O DESCASO COM A COISA PÚBLICA, com isso me vi na obrigação de postar aqui este ato bondoso, caridoso deste reitor e seus dois amigos próativos, pró-saúde, JÁ são até pró-paz no oriente médio, QUE AINDA não quiseram, ou melhor fizeram a atitude de exercer um pensar inédito, deixaram de lado PRIncípios humanos mesquinhos e Valentemente ressuscitaram o robô, que necessitava de ajuda(pois estava morto).
ATIvaram o lado mais nobre de seres humanos Zens, devolvendo o AR A uMa criatura, isso é muito profundo, um verdadeiro exemplo a esses médicOs nesses Hospitais de Urgência cada  vEz mais iNdivudualistas E Muito desnaturados, parecem pessoas, pessoas não, verdadeiros robôs, seus pais na hora de ensinar não preocuparam-se em TERMINAR de lhes passar a moral, a ética e os bons costumes.
DE FATO, muitas coisas são absurdas, mais ainda bem que temos estes três paladinos da ética por nós, que bravamente CONSEGUIRAM salvar a vida do nobre robô.

OBS; desculpem as oscilações entre letras maiúscuculas e minúsculas meu teclado está com problemas, não vão ler somente as letras maiúsculas, pra depois saírem entendendo errado as coisas.


FONTE; http://www.ufpi.br/noticia.php?id=21584 

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Ensaio fotográfico de vanguarda das Emas da UFPI

A felicidade simples de tais criaturas me fascinou... Em dois passeios pela estrada... presas por grades... Afazeres ao tempo livre... presas por grades Começaram a gostar de mim... presas por gradesEm um filme do Glauber Rocha... presa por grades Outro filme do Glauber... presa por grades Sozinha... presa por grades Abra as asas liberdade... presa por grades Nas cores de Deus, com ovos... presa por gradesEncontrei ovos... presos por grades Ovos, vidas antes mesmo de nascerem... presas por grades Grades... presos por grades Quando estava próximo dos ovos começaram de longe a se aglutinar...  presas por grades Uma criou coragem e veio me encarar... presa por grades Veio... presas por grades Presa... por grades Verdes liberdades... presas por grades Verde que me lembrou o Condado... presas por grades Exibicionismo libertário... presa por grades Uma coçadinha... presa por grades Escondendo o rosto... presa por grades Mostrou o rosto... presa por grades Outras coçadas... presa por grades Entrando na "mata"... presa por grades Cinema de vanguarda... presas por grades Cinema novo... presa por grades Cinema de Hollywood... presa por grades Acho que essa, era o esse... preso por grades Caminhando pra me acompanhar... preso por grades O muro de Berlim, as grades da Palestina... presas por grades Comendo um pouquinho... presa por grades Se mostrando... presa por grades Se aparecendo... presa por grades Saiu pra passear... presa por grades Já distante, comendo... presa por grades E as árvores se compadecem e parecem brigar com as grades, pedem por libergrades...E nós quando seremos árvores?

quarta-feira, 2 de maio de 2012

1º de Maio: de trabalhadores escravizados a colaboradores


Artigo de minha autoria publicado no Jornal O'Dia, no Piauí, no dia 1º de Maio de 2012

Estão correndo, apressados, apertados em transportes coletivos, acordam cedo, sentem o cansaço físico, engolem sapos, esperam novas possibilidades, desistem de tudo, recomeçam, divertem-se, choram, servem o cafézinho, colhem o café, batem com a picareta, cuidam da casa e dos filhos alheios, aprendem, fazem acontecer, assumem responsabilidades, embriagam-se, se desesperam, econtram saídas, descansam, sonham com uma vida melhor, sentem pré-conceitos, mantêem a cabeça calma em um mundo difícil, um mundo que é deles, feito por eles... Os Trabalhadores - que param talvez  neste dia, para descansar, ficar com a família, entrar na fila do pão, ou quem sabe transformar o mundo pela ação silenciosa e direta do cotidiano.
O 1º de Maio tem uma origem controversa entre os historiadores, de modo concreto que no Brasil, esta data tem uma particularidade ao conjunto de datas da “memória nacional”. Contrapondo-se a idealizações de figuras heróicas, grandes feitos governamentais, grandes monumentos, esta data é bem pequenina, tão pequena em certo sentido, que em um sentido moral se torna uma manifestação cultural de alto perigo para alguns, e que por isso, ao longo da História do Brasil, o 1º de Maio e os trabalhadores e trabalhadoras, foram alvos de investidas de um tal poder, que visava forjar uma identidade da classe trabalhadora que fosse adequada a seus interesses. A compreensão da formação plural, orgânica, e também como já citada, mecânica do formar-se dessa identidade de classe no Brasil, é de importancia central para acrescentarmos mais alguns sentidos a esta data tão especial.
Nos tempos da Colônia e posteriormente do Império, a grande mão de obra era escravizada. Sim, a maioria dos trabalhos eram realizados por negros, que sofriam pra muito além de uma violência física, uma violência psicológica. Entretanto o que a memória nacional pouco exalta, pouco fala, é de um conceito historiográfico chamado; resistência. Aliás, até se fala e se propaga essa idéia de resistência, entretanto como algo fraco, pouco capaz de realizar efeitos maiores, assim se esquece de que para que houvesse o fim do trabalho escravo, fora necessário essa resistências tratadas com menor importância pelo poder da época, que preferiu usar a retórica legitimadora da Princesa Isabel.
No império, além de trabalhadores escravizados, já havia uma configuração maior de trabalhadores livres, estes trabalhadores segundo o Historiador Cláudio Batalha eram proibidos pelo Império de se associar em sindicatos. Porém os trabalhadores não deixavam de se organizar em clubes, associações de classe, entre outras formas de entidades que não um sindicato- no entanto com uma discussão social e política. Nos anos próximos ao fim da escravidão, foi percebido por uma historiografia bem recente uma certa proximidade de lutas sociais entre trabalhadores livres e escravizados, é o que propõe o Historiador Marcelo Badaró Mattos.
No advento da República, da 1º República, os operários passam a se organizar em sindicatos, clubes, associações mutualistas, entidades que visavam lutas de classe, lutas por sobrevivência, lutas por condições dignas de trabalho, fim do trabalho infantil, liberdade política entre muitas outras coisas. Aqui na 1º República, o estado tratava a questão operária principamente em duas vertentes; a do cinismo, das promessas fáceis, da demagogia da caridade insuficiente, e do apoio tímido na melhoria de vida dos operários, esta 1º característica fora marcante principalmente no Piauí dessa época. A outra característica era a repressão, repressão a cultura operária, vigilancia nas festas do 1º de Maio, leis para deportação de operários com perfis políticos perigosos, leia-se anarquistas. Uma legislação social fortemente engajada na repressão não somente política, mas social e cultural também- no Piauí por exemplo, mais especificamente em Teresina, havia todo um conjunto de código de posturas municipais opressor aos operários, como o caso de não ser permitido a caça, e nem tampouco a venda de facas a “pessoas estranhas”. Com salários minúsculos, e ainda sem poder caçar para sustentar a família, os operários sentiam a dificuldade daquele mundo, mas mesmo assim não deixavam de lutar, de se organizar, de realizarem ataques as classes dominantes via imprensa operária, por meio de greves também, estas aliás garantidoras de muito dos direitos conquistados pelos operários ao longo da História.
Com a chegada do Estado Novo, é novamente impetrado aos operários uma forte retórica legitimadora de tendência ao esqucimento do passado de lutas, greves, a atuação política dos operários. Agora pelas ondas da rádio, pelo controle dos jornais, virá a tona a figura do trabalhador brasileiro, um soldado do progresso segundo Adalberto Paranhos. Neste momento cria-se pelo Estado algo que Angela Maria de Castro Gomes chama de “invenção do trabalhismo”, uma corrente político-filosófica que vem junto com o mito da “doação” dos direitos trabalhistas, conquistados por muita luta, porém “doados” segundo o  Estado de Getúlio Vargas, e que fique registrado direitos válidos somente ao trabalhador urbano, minoria no período. Nesse período embora fosse um governo autoritário de controle dos sindicatos, e momento de forte investida na questão política no meio dos trabalhadores, segundo o Historiador Jorge Ferreira, houve sim uma grande atuação social dos trabalhadores e uma militância política, não havendo somente opressão estatal, tanto que no breve período anterior ao golpe civil-militar havia reflexos de tal organização, onde os trabalhadores influenciavam massissamente os rumos da política nacional. Quem sabe por isso quando se deflagrou o golpe, os trabalhadores não são mais questões de polícia como na primeira República, e nem questão de política como em Vargas, mas agora na Ditadura civil-militar uma questão de segurança nacional.
De 1964 a 1966 foram os anos mais truculentos do regime civil-militar em combate aos trabalhadores que por ventura quisessem lutar por seus direitos. Arrocho salarial, em nome de um certo crescimento econômico, em 1965 decretou-se o fim do direito a greve. Esse período acaba com uma hegemonia existente entre as correntes políticas do movimento dos trabalhadores, os trabalhadores proibidos de se organizarem necessitam passar por um período de reoorganização, que vai segundo Celso Frederico de 1966 a 1968, neste período uma imprensa operária clandestina é essencial para os trabalhadores, e a construção de seus respectivos projetos políticos, e lutas sociais.
Passado esse período de fortes perseguições, assassinatos, torturas aos trabalhadores, chegamos ao final da ditadura unida ao período de redemocratização, é nesse período que surgem as greves dos cortadores de cana do Pernambuco, as marchas por liberdade, as organizações sindicais aumentam de forma surpreendente, as greves do ABC Paulista. Toda essa ebulição marcada ainda por forte repressão, ajuda a começar a construção de uma democracia no Brasil, bem como a consolidação de leis trabalhistas, estabelecidas da constituição devido á fortes mobilizações da classe trabalhista.
Hoje devido a novos rumos da Administração, e dos Recursos Humanos, os trabalhadores são chamados de colaboradores.Nome este que representa respeito, medo, ou uma tentativa de desmobilização frente uma agenda neo-liberal, que cada vez mais em nome do mercado tenta suprimir o direito dos trabalhadores? Para além de comemorar e festejar com os amigos, esta data deve ser lugar de reflexão. Qual o papel do trabalhador ou colaborador hoje? Essa resposta eu deixo para o querido leitor.

Leôndidas Freire S. Júnior é estudante de História na UFPI

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Os Operários da Primeira República em Teresina, andaram de Bonde?


Twitter; @leofreirejr

Neste clima interessante e empolgante das manifestações do #contraoaumento em Teresina, resolvi fuçar os baús esquecidos da nossa História, com o intuito de entender se essa mentalidade de desrespeito aos trabalhadores com passagens altíssimas, é de hoje, ou se tal prática já acontecia há muito tempo atrás, por exemplo na primeira República. Este artigo, diferentemente de uma tendenciazinha historiograficazinha nova, que recorta o recorte do recorte, também compõe uma série de outras coisas. Vejamos.
Lembro de alguns momentos junto a minha família em frente a TV, assistindo as telenovelas, algo muito comum, costume peculiar entre nós brasileiros, e recordo também que sempre ao avisar uma nova novela, quando tratava-se de uma de época, era visível a satisfação, e a ansiedade para que começasse logo, e se fosse uma novela de época que tivesse aqueles bondes que nos lembram o Rio de Janeiro, ou São Paulo, aqueles com trilhos de metal pregados no chão, e linhas de cabo de aço por cima as vezes, a empolgação era maior...
O entusiasmo de ver o trabalhador que pegava o bonde, sonhando com a amada, com uma vida melhor, ou o casal de apaixonados,onde o jovem mancebo obrigado pelo andar do horário, ir embora, e sua amada ficava a acenar com um lenço que quase sempre era branco, chorando e as vezes rindo para o seu amado. Tudo isso provocava curiosidade, conversas, trocas de saberes entre os membros de minha família, e daí vinham as imaginações de como era no período, e eu sempre tinha ( e ainda tenho) a vontade de voltar no tempo, pra experimentar, pra saber como era aquilo, pra viver aquela magia, talvez esse sentimento traduza a magia de muitas pessoas com relação as coisas antigas. Mas a nossa questão central neste texto, se é que ela exista, a da existência ou não do bonde, e sobre a possibilidade dos trabalhadores terem andado neles. Vejamos...
Sim! Embora a nossa história até o momento não tenha dito de forma mais acentuada, houve sim operários em Teresina na primeira república, e quanto ao bonde, uma história engraçada... 
Começa mais ou menos assim. Um dia, em um evento de ensino de História, na Universidade Federal do Piauí, uma professora do Rio de Janeiro no seu mini-curso quis exemplificar algo que não me recordo, e assim falou sobre o bonde da primeira República no Rio de Janeiro, aqueles famosos e românticos bondes que passam nas novelas de época como já citadas. E então rapidamente ela perguntou; "Houve em Teresina um Bonde?" Por alguns momentos de segundos que me pareceram eternos, um silêncio na sala, logo depois uns “Nãos” meio com dúvidas, e uns olhares atravessados de canto a canto, buscando alguém, engolindo uma saliva seca, passei a língua nos lábios e foi quando decidi intervir. "_Sim! Teve sim, um bonde em Teresina." Uma afirmativa categórica e rápida, baseada em alguns jornais da primeira República, pouquíssimos jornais Piauienses, diga-se de passagem, nem devem mais estarem a disposição no arquivo público - baseado também, em uma entrevista com José Pereira Chaves (Zé pequeno), para a fundação CEPRO, que foi entrevistado por Geraldo Almeida Borges, mais precisamente em 25 de julho de 1984. Bem, com essas fontes e com mais riqueza de detalhes na segunda fala com um pouco a mais de saliva, afirmei que sim, que sabia da existência deste bonde, mas lembrei-me da idéia do início deste texto, lembrei que existe tanta admiração, um verdadeiro fascínio por coisas “velhas”, por tempos antigos, coisas desconhecidas, um verdadeiro encantamento, e me questionei... Fiquei com um questionamento chato na minha mente, querendo saber o motivo pelo qual não temos um bonde, ou melhor não temos conhecimento de um bonde, não temos vestígios materiais deste bonde...
Fui atrás de  mais detalhes ao menos para publicizar tais memórias esquecidas, e descobri, que segundo José Pereira Chaves, o Zé pequeno, que em 1928 ele e uns amigos, deram uma volta de bonde, para a prestação de um serviço eleitoral e passaram por toda a única linha do bonde, pela rua Campos Sales que era o início de seu terminal, um bonde de “ carroceria e tal, era do tipo desses transportes que fazem linha para fora do estado. Andava em cima de trilho” disse Zé Pequeno, passava pela “rua Riachuelo”, pela antiga Escola Normal (Atual Prefeitura da Cidade), e parava onde hoje é o Banco do Nordeste, (que hoje com tanta modernização não sei mais nem dizer se existe, pois essa entrevista é da década de 80), pois bem estava completado o trajeto, e nisso Zé Pequeno trabalhador do telégrafo pagou a passagem, na época 200 réis. 
Fazendo as contas com as informações de que as operárias, e os operários da fiação ganhavam 12 mil réis por mês, o que dava em torno de 300 réis por semana, contando com a alimentação, o vestuário, e muitos outros gastos, e levando em conta que mesmo desprezando as despesas, a passagem ainda sim custaria 2/3 do salário de uma semana de trabalho, e sem contar que as operárias chegavam a trabalhar as vezes 16 horas por dia, sem lhes sobrar tempo para um passeio nem sequer a pé... É definitivamente, os operários não andavam de bonde, e se andassem ficariam muito endividados (Qualquer semelhança com os atuais preços das passagens em Teresina, e as condições de trabalho, não são meras coincidências).
Resolvida esta minha indagação, pensei em escrever e publicar com intuito de dividir minha angústia com vocês, possíveis leitores.
Por que não temos uma política séria de preservação do patrimônio histórico e da memória do povo do Piauí? Até onde esse projeto descabido de modernização, que abandona casarões históricos no centro, que derruba prédios antigos para transformarem em estacionamentos. Até onde isso vai? Até onde a nossa história estará tão isenta de documentação (abandono do arquivo público do Piauí) que não poderemos mais sequer entender as lutas, a coragem, e o sofrimento do nosso povo? Se é que alguns irmãos de profissão querem entender tais coisas.
Fico pensando(Aliás este é o nome do Blog), em um tempo em que o pessoal (os que podiam) usavam, os homens, ternos com gravatas e chapéus, as mulheres de elite com seus vestidos, muitos exemplares de uma decência emanada do código social da época, e enquanto as pipiras (nome dado as operárias) e os trabalhadores, empiricamente não tinham essas regalias todas, mas pra onde isso vai... O que será que ficará para nós? Será uma boa atitude virar as costas para o nosso passado?
É por essas questões, por momentos de descontração com a família (pelo arrebatamento estético que as coisas do passado podem trazer), por momentos de conscientização política(palavra complicada né?), a respeito dos sujeitos da nossa história e de como chegamos a vir a ser o que somos, e que desde lá de trás as coisas não eram tão boas para os que trabalhavam honestamente... É por isso que brado; A História do Piauí, precisa urgentemente ser salva do esquecimento, tanto o Arquivo Público, quanto as poucas construções históricas que ainda nos restam, antes que estejamos sufocados por inovações, e sem saber de onde vínhamos, e para onde vamos, ou melhor aonde querem alguns nos levar.