sexta-feira, 13 de julho de 2012

Reitor milagreiro de uma IF no Piauí, junto com dois super pró-reitores ressuscitam um robô!!!


O causo ainda foi pouco divulgado pela imprensa local, outros casos de PROvidencias REIntegradas de TORnar, DE ver, a ADMINISTRAÇÃO dos hospitais da capital FAbricarem mais cuidados, mais ZElos etendeNDO a necessidade COM que o piauí tem, no que se refere a uma melhor saúde, mais tudo isso parece uma iLUsão, ISca estando JUnto a um NIvel OR ganizaCional mAis coMPlexo, onde a política privada pra saúde é uma festa e tudo acaba não em pizza, mais em lasANHA,  DE UM VERDADEIRO FRACASSO QUE É O CAOS EM NOSSA SAÚDE, E O DESCASO COM A COISA PÚBLICA, com isso me vi na obrigação de postar aqui este ato bondoso, caridoso deste reitor e seus dois amigos próativos, pró-saúde, JÁ são até pró-paz no oriente médio, QUE AINDA não quiseram, ou melhor fizeram a atitude de exercer um pensar inédito, deixaram de lado PRIncípios humanos mesquinhos e Valentemente ressuscitaram o robô, que necessitava de ajuda(pois estava morto).
ATIvaram o lado mais nobre de seres humanos Zens, devolvendo o AR A uMa criatura, isso é muito profundo, um verdadeiro exemplo a esses médicOs nesses Hospitais de Urgência cada  vEz mais iNdivudualistas E Muito desnaturados, parecem pessoas, pessoas não, verdadeiros robôs, seus pais na hora de ensinar não preocuparam-se em TERMINAR de lhes passar a moral, a ética e os bons costumes.
DE FATO, muitas coisas são absurdas, mais ainda bem que temos estes três paladinos da ética por nós, que bravamente CONSEGUIRAM salvar a vida do nobre robô.

OBS; desculpem as oscilações entre letras maiúscuculas e minúsculas meu teclado está com problemas, não vão ler somente as letras maiúsculas, pra depois saírem entendendo errado as coisas.


FONTE; http://www.ufpi.br/noticia.php?id=21584 

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Ensaio fotográfico de vanguarda das Emas da UFPI

A felicidade simples de tais criaturas me fascinou... Em dois passeios pela estrada... presas por grades... Afazeres ao tempo livre... presas por grades Começaram a gostar de mim... presas por gradesEm um filme do Glauber Rocha... presa por grades Outro filme do Glauber... presa por grades Sozinha... presa por grades Abra as asas liberdade... presa por grades Nas cores de Deus, com ovos... presa por gradesEncontrei ovos... presos por grades Ovos, vidas antes mesmo de nascerem... presas por grades Grades... presos por grades Quando estava próximo dos ovos começaram de longe a se aglutinar...  presas por grades Uma criou coragem e veio me encarar... presa por grades Veio... presas por grades Presa... por grades Verdes liberdades... presas por grades Verde que me lembrou o Condado... presas por grades Exibicionismo libertário... presa por grades Uma coçadinha... presa por grades Escondendo o rosto... presa por grades Mostrou o rosto... presa por grades Outras coçadas... presa por grades Entrando na "mata"... presa por grades Cinema de vanguarda... presas por grades Cinema novo... presa por grades Cinema de Hollywood... presa por grades Acho que essa, era o esse... preso por grades Caminhando pra me acompanhar... preso por grades O muro de Berlim, as grades da Palestina... presas por grades Comendo um pouquinho... presa por grades Se mostrando... presa por grades Se aparecendo... presa por grades Saiu pra passear... presa por grades Já distante, comendo... presa por grades E as árvores se compadecem e parecem brigar com as grades, pedem por libergrades...E nós quando seremos árvores?

quarta-feira, 2 de maio de 2012

1º de Maio: de trabalhadores escravizados a colaboradores


Artigo de minha autoria publicado no Jornal O'Dia, no Piauí, no dia 1º de Maio de 2012

Estão correndo, apressados, apertados em transportes coletivos, acordam cedo, sentem o cansaço físico, engolem sapos, esperam novas possibilidades, desistem de tudo, recomeçam, divertem-se, choram, servem o cafézinho, colhem o café, batem com a picareta, cuidam da casa e dos filhos alheios, aprendem, fazem acontecer, assumem responsabilidades, embriagam-se, se desesperam, econtram saídas, descansam, sonham com uma vida melhor, sentem pré-conceitos, mantêem a cabeça calma em um mundo difícil, um mundo que é deles, feito por eles... Os Trabalhadores - que param talvez  neste dia, para descansar, ficar com a família, entrar na fila do pão, ou quem sabe transformar o mundo pela ação silenciosa e direta do cotidiano.
O 1º de Maio tem uma origem controversa entre os historiadores, de modo concreto que no Brasil, esta data tem uma particularidade ao conjunto de datas da “memória nacional”. Contrapondo-se a idealizações de figuras heróicas, grandes feitos governamentais, grandes monumentos, esta data é bem pequenina, tão pequena em certo sentido, que em um sentido moral se torna uma manifestação cultural de alto perigo para alguns, e que por isso, ao longo da História do Brasil, o 1º de Maio e os trabalhadores e trabalhadoras, foram alvos de investidas de um tal poder, que visava forjar uma identidade da classe trabalhadora que fosse adequada a seus interesses. A compreensão da formação plural, orgânica, e também como já citada, mecânica do formar-se dessa identidade de classe no Brasil, é de importancia central para acrescentarmos mais alguns sentidos a esta data tão especial.
Nos tempos da Colônia e posteriormente do Império, a grande mão de obra era escravizada. Sim, a maioria dos trabalhos eram realizados por negros, que sofriam pra muito além de uma violência física, uma violência psicológica. Entretanto o que a memória nacional pouco exalta, pouco fala, é de um conceito historiográfico chamado; resistência. Aliás, até se fala e se propaga essa idéia de resistência, entretanto como algo fraco, pouco capaz de realizar efeitos maiores, assim se esquece de que para que houvesse o fim do trabalho escravo, fora necessário essa resistências tratadas com menor importância pelo poder da época, que preferiu usar a retórica legitimadora da Princesa Isabel.
No império, além de trabalhadores escravizados, já havia uma configuração maior de trabalhadores livres, estes trabalhadores segundo o Historiador Cláudio Batalha eram proibidos pelo Império de se associar em sindicatos. Porém os trabalhadores não deixavam de se organizar em clubes, associações de classe, entre outras formas de entidades que não um sindicato- no entanto com uma discussão social e política. Nos anos próximos ao fim da escravidão, foi percebido por uma historiografia bem recente uma certa proximidade de lutas sociais entre trabalhadores livres e escravizados, é o que propõe o Historiador Marcelo Badaró Mattos.
No advento da República, da 1º República, os operários passam a se organizar em sindicatos, clubes, associações mutualistas, entidades que visavam lutas de classe, lutas por sobrevivência, lutas por condições dignas de trabalho, fim do trabalho infantil, liberdade política entre muitas outras coisas. Aqui na 1º República, o estado tratava a questão operária principamente em duas vertentes; a do cinismo, das promessas fáceis, da demagogia da caridade insuficiente, e do apoio tímido na melhoria de vida dos operários, esta 1º característica fora marcante principalmente no Piauí dessa época. A outra característica era a repressão, repressão a cultura operária, vigilancia nas festas do 1º de Maio, leis para deportação de operários com perfis políticos perigosos, leia-se anarquistas. Uma legislação social fortemente engajada na repressão não somente política, mas social e cultural também- no Piauí por exemplo, mais especificamente em Teresina, havia todo um conjunto de código de posturas municipais opressor aos operários, como o caso de não ser permitido a caça, e nem tampouco a venda de facas a “pessoas estranhas”. Com salários minúsculos, e ainda sem poder caçar para sustentar a família, os operários sentiam a dificuldade daquele mundo, mas mesmo assim não deixavam de lutar, de se organizar, de realizarem ataques as classes dominantes via imprensa operária, por meio de greves também, estas aliás garantidoras de muito dos direitos conquistados pelos operários ao longo da História.
Com a chegada do Estado Novo, é novamente impetrado aos operários uma forte retórica legitimadora de tendência ao esqucimento do passado de lutas, greves, a atuação política dos operários. Agora pelas ondas da rádio, pelo controle dos jornais, virá a tona a figura do trabalhador brasileiro, um soldado do progresso segundo Adalberto Paranhos. Neste momento cria-se pelo Estado algo que Angela Maria de Castro Gomes chama de “invenção do trabalhismo”, uma corrente político-filosófica que vem junto com o mito da “doação” dos direitos trabalhistas, conquistados por muita luta, porém “doados” segundo o  Estado de Getúlio Vargas, e que fique registrado direitos válidos somente ao trabalhador urbano, minoria no período. Nesse período embora fosse um governo autoritário de controle dos sindicatos, e momento de forte investida na questão política no meio dos trabalhadores, segundo o Historiador Jorge Ferreira, houve sim uma grande atuação social dos trabalhadores e uma militância política, não havendo somente opressão estatal, tanto que no breve período anterior ao golpe civil-militar havia reflexos de tal organização, onde os trabalhadores influenciavam massissamente os rumos da política nacional. Quem sabe por isso quando se deflagrou o golpe, os trabalhadores não são mais questões de polícia como na primeira República, e nem questão de política como em Vargas, mas agora na Ditadura civil-militar uma questão de segurança nacional.
De 1964 a 1966 foram os anos mais truculentos do regime civil-militar em combate aos trabalhadores que por ventura quisessem lutar por seus direitos. Arrocho salarial, em nome de um certo crescimento econômico, em 1965 decretou-se o fim do direito a greve. Esse período acaba com uma hegemonia existente entre as correntes políticas do movimento dos trabalhadores, os trabalhadores proibidos de se organizarem necessitam passar por um período de reoorganização, que vai segundo Celso Frederico de 1966 a 1968, neste período uma imprensa operária clandestina é essencial para os trabalhadores, e a construção de seus respectivos projetos políticos, e lutas sociais.
Passado esse período de fortes perseguições, assassinatos, torturas aos trabalhadores, chegamos ao final da ditadura unida ao período de redemocratização, é nesse período que surgem as greves dos cortadores de cana do Pernambuco, as marchas por liberdade, as organizações sindicais aumentam de forma surpreendente, as greves do ABC Paulista. Toda essa ebulição marcada ainda por forte repressão, ajuda a começar a construção de uma democracia no Brasil, bem como a consolidação de leis trabalhistas, estabelecidas da constituição devido á fortes mobilizações da classe trabalhista.
Hoje devido a novos rumos da Administração, e dos Recursos Humanos, os trabalhadores são chamados de colaboradores.Nome este que representa respeito, medo, ou uma tentativa de desmobilização frente uma agenda neo-liberal, que cada vez mais em nome do mercado tenta suprimir o direito dos trabalhadores? Para além de comemorar e festejar com os amigos, esta data deve ser lugar de reflexão. Qual o papel do trabalhador ou colaborador hoje? Essa resposta eu deixo para o querido leitor.

Leôndidas Freire S. Júnior é estudante de História na UFPI

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Os Operários da Primeira República em Teresina, andaram de Bonde?


Twitter; @leofreirejr

Neste clima interessante e empolgante das manifestações do #contraoaumento em Teresina, resolvi fuçar os baús esquecidos da nossa História, com o intuito de entender se essa mentalidade de desrespeito aos trabalhadores com passagens altíssimas, é de hoje, ou se tal prática já acontecia há muito tempo atrás, por exemplo na primeira República. Este artigo, diferentemente de uma tendenciazinha historiograficazinha nova, que recorta o recorte do recorte, também compõe uma série de outras coisas. Vejamos.
Lembro de alguns momentos junto a minha família em frente a TV, assistindo as telenovelas, algo muito comum, costume peculiar entre nós brasileiros, e recordo também que sempre ao avisar uma nova novela, quando tratava-se de uma de época, era visível a satisfação, e a ansiedade para que começasse logo, e se fosse uma novela de época que tivesse aqueles bondes que nos lembram o Rio de Janeiro, ou São Paulo, aqueles com trilhos de metal pregados no chão, e linhas de cabo de aço por cima as vezes, a empolgação era maior...
O entusiasmo de ver o trabalhador que pegava o bonde, sonhando com a amada, com uma vida melhor, ou o casal de apaixonados,onde o jovem mancebo obrigado pelo andar do horário, ir embora, e sua amada ficava a acenar com um lenço que quase sempre era branco, chorando e as vezes rindo para o seu amado. Tudo isso provocava curiosidade, conversas, trocas de saberes entre os membros de minha família, e daí vinham as imaginações de como era no período, e eu sempre tinha ( e ainda tenho) a vontade de voltar no tempo, pra experimentar, pra saber como era aquilo, pra viver aquela magia, talvez esse sentimento traduza a magia de muitas pessoas com relação as coisas antigas. Mas a nossa questão central neste texto, se é que ela exista, a da existência ou não do bonde, e sobre a possibilidade dos trabalhadores terem andado neles. Vejamos...
Sim! Embora a nossa história até o momento não tenha dito de forma mais acentuada, houve sim operários em Teresina na primeira república, e quanto ao bonde, uma história engraçada... 
Começa mais ou menos assim. Um dia, em um evento de ensino de História, na Universidade Federal do Piauí, uma professora do Rio de Janeiro no seu mini-curso quis exemplificar algo que não me recordo, e assim falou sobre o bonde da primeira República no Rio de Janeiro, aqueles famosos e românticos bondes que passam nas novelas de época como já citadas. E então rapidamente ela perguntou; "Houve em Teresina um Bonde?" Por alguns momentos de segundos que me pareceram eternos, um silêncio na sala, logo depois uns “Nãos” meio com dúvidas, e uns olhares atravessados de canto a canto, buscando alguém, engolindo uma saliva seca, passei a língua nos lábios e foi quando decidi intervir. "_Sim! Teve sim, um bonde em Teresina." Uma afirmativa categórica e rápida, baseada em alguns jornais da primeira República, pouquíssimos jornais Piauienses, diga-se de passagem, nem devem mais estarem a disposição no arquivo público - baseado também, em uma entrevista com José Pereira Chaves (Zé pequeno), para a fundação CEPRO, que foi entrevistado por Geraldo Almeida Borges, mais precisamente em 25 de julho de 1984. Bem, com essas fontes e com mais riqueza de detalhes na segunda fala com um pouco a mais de saliva, afirmei que sim, que sabia da existência deste bonde, mas lembrei-me da idéia do início deste texto, lembrei que existe tanta admiração, um verdadeiro fascínio por coisas “velhas”, por tempos antigos, coisas desconhecidas, um verdadeiro encantamento, e me questionei... Fiquei com um questionamento chato na minha mente, querendo saber o motivo pelo qual não temos um bonde, ou melhor não temos conhecimento de um bonde, não temos vestígios materiais deste bonde...
Fui atrás de  mais detalhes ao menos para publicizar tais memórias esquecidas, e descobri, que segundo José Pereira Chaves, o Zé pequeno, que em 1928 ele e uns amigos, deram uma volta de bonde, para a prestação de um serviço eleitoral e passaram por toda a única linha do bonde, pela rua Campos Sales que era o início de seu terminal, um bonde de “ carroceria e tal, era do tipo desses transportes que fazem linha para fora do estado. Andava em cima de trilho” disse Zé Pequeno, passava pela “rua Riachuelo”, pela antiga Escola Normal (Atual Prefeitura da Cidade), e parava onde hoje é o Banco do Nordeste, (que hoje com tanta modernização não sei mais nem dizer se existe, pois essa entrevista é da década de 80), pois bem estava completado o trajeto, e nisso Zé Pequeno trabalhador do telégrafo pagou a passagem, na época 200 réis. 
Fazendo as contas com as informações de que as operárias, e os operários da fiação ganhavam 12 mil réis por mês, o que dava em torno de 300 réis por semana, contando com a alimentação, o vestuário, e muitos outros gastos, e levando em conta que mesmo desprezando as despesas, a passagem ainda sim custaria 2/3 do salário de uma semana de trabalho, e sem contar que as operárias chegavam a trabalhar as vezes 16 horas por dia, sem lhes sobrar tempo para um passeio nem sequer a pé... É definitivamente, os operários não andavam de bonde, e se andassem ficariam muito endividados (Qualquer semelhança com os atuais preços das passagens em Teresina, e as condições de trabalho, não são meras coincidências).
Resolvida esta minha indagação, pensei em escrever e publicar com intuito de dividir minha angústia com vocês, possíveis leitores.
Por que não temos uma política séria de preservação do patrimônio histórico e da memória do povo do Piauí? Até onde esse projeto descabido de modernização, que abandona casarões históricos no centro, que derruba prédios antigos para transformarem em estacionamentos. Até onde isso vai? Até onde a nossa história estará tão isenta de documentação (abandono do arquivo público do Piauí) que não poderemos mais sequer entender as lutas, a coragem, e o sofrimento do nosso povo? Se é que alguns irmãos de profissão querem entender tais coisas.
Fico pensando(Aliás este é o nome do Blog), em um tempo em que o pessoal (os que podiam) usavam, os homens, ternos com gravatas e chapéus, as mulheres de elite com seus vestidos, muitos exemplares de uma decência emanada do código social da época, e enquanto as pipiras (nome dado as operárias) e os trabalhadores, empiricamente não tinham essas regalias todas, mas pra onde isso vai... O que será que ficará para nós? Será uma boa atitude virar as costas para o nosso passado?
É por essas questões, por momentos de descontração com a família (pelo arrebatamento estético que as coisas do passado podem trazer), por momentos de conscientização política(palavra complicada né?), a respeito dos sujeitos da nossa história e de como chegamos a vir a ser o que somos, e que desde lá de trás as coisas não eram tão boas para os que trabalhavam honestamente... É por isso que brado; A História do Piauí, precisa urgentemente ser salva do esquecimento, tanto o Arquivo Público, quanto as poucas construções históricas que ainda nos restam, antes que estejamos sufocados por inovações, e sem saber de onde vínhamos, e para onde vamos, ou melhor aonde querem alguns nos levar.

sábado, 27 de agosto de 2011

A Vida

Á vida difícil de ser capturada
Ou vivo ou te aprisiono em palavras
Á vida passageira e desencontrada
Hoje sei tudo, amanhã mais nada


Vida maluca que me faz flanar e ser enganado
Vida simples, que racionalmente parece complicado
Vida feliz, pra quem quer viver
Vida que passa, não passa, pra mim, pra você


Vida que de mim leva muito
Em tão pouco tempo e de modo duro
Vida que me cruza a vários destinos
Pondo meus desejos; idéias em desatino


Vida que é viva, faz-se no aqui e no agora
Vida que pra passar, morrer não demora
Pois abaixo dos céus quase nada vale, ou muito menos demora,
Só mesmo o Amor que muito mais que a vida; Demora...

quinta-feira, 28 de julho de 2011

O herói de todos, o velho que não conhecemos...

Hoje de tarde, lembrei que era o último dia para pagar umas contas, caso perdesse o prazo, pagaria uma multa. Saí rapidamente de casa peguei um ônibus e logo em seguida um moto-taxi, para chegar ao trabalho do meu pai e pegar meu carro, que dentro dele estava a conta e o dinheiro. Tive que fazer isso tudo muito rápido pois já era por volta de 4 horas e as casas lotéricas fechavam as 5, pois bem pegando o carro sai dirigindo rapidamente até o local, pensei ser mais um dia daqueles comuns, típicos e rotineiros. Chegando as casas lotéricas sinto dificuldades de estacionar o carro e já fico nervoso, pensei; "não é possível com tanto prédio antigo sendo destruído pra dar espaço pra estacionamento em Teresina..." e olhando pro relógio pensava; "essa sociedade pós-industrial do relógio um dia ainda me mata", em seguida procuro as 3 contas e meu dinheiro... Mais um acesso ao nervosismo, vejo que calculei errado o dinheiro e que só dava pra pagar uma das contas, e me sobravam algumas moedas de 1 real, então pensei nervoso "Não é possível que vá me faltar dinheiro pra pagar essas míseras contas, não acredito "@#%4!!@*&". Desci do carro muito irritado e logo vejo uma fila relativamente grande, e apenas duas cabines funcionando, e escrito de todo tamanho "FILA ÚNICA", entretanto enquanto eu e mais algumas pessoas esperavamos na "verdadeira" fila, outras pessoas espertamente esperavam em outra que não deveria existir, entretanto era menor. Muito irritado com aquela situação, fiquei calado, mas sentindo uma irritação profunda me pairar a pele, e uma raiva, raiva gigantesca, raiva do trânsito que tinha pego, raiva da falta de dinheiro, raiva do dia do vencimento, raiva da fila, raiva das pessoas, raiva da cara dos atendentes da loteria, com cara de "puta merda, eu tenho que atender esses otários", então surge um senhor de idade, de pele escurecida, queimada pelo sol, com um cabelo grisalho com a cor de fumaça de caminhão a diesel, uma barba e um cavanhaque da mesma cor muito mal feitos, e com a impressão se sujeira, e mal cheiro, uma roupa suja, mas segurando religiosamente uma sacola pequena num formato quadrado na mão, e algumas moedas que observando vi que eram no máximo de 50 centavos. Este senhor entrou na fila das pessoas que estavam me irritando por não estarem no local correto, embora na hora eu não tenha percebido isto, estava mais impressionado com os pés e os olhos daquele Senhor... Os pés pareciam... terem se fragmentado,(Talvez tão fragmentados quanto gostam os pós-modernos) sujos, unhas quebradas, os chinelos despedaçados, e o olhar... Que olhar era aquele? Que trazia sofrimento... Sangue... Ausência de respostas... Conformação obrigatória... embora mantivesse a aparência interior sufocada por um ar de sabedoria e paciência... Fora uma experiência única aquele olhar. Ao observar aquele conjunto de coisas em relação aquele velho, esqueci-me de minha raiva ao mundo, e  todos. Então uma mancha no chão eu percebo nas Casas Lotéricas, logo pensei; é brincadeira como nem ligam pra limpar este local... O velho deve ter pensado; Uma moeda no chão, sim a mancha era arredondada, de muito longe, ou com uma visão gasta pela idade junto com uma grande necessidade poderia se pensar que fosse um dinheiro, então "rapidamente" em suas condições o velho abaixou-se para pegar a "moeda" e nada... A quilo soou para mim como uma triste metáfora de uma vida quase inteira, o seu olhar me dava esse pensamento. Me senti controlando uma lágrima. E senti um remorso por todos os meus sentimentos anteriores. Então chegou a minha vez no caixa, desconcentrei um pouco de mim e do próprio velho, que para minha surpresa aparecera atrás de mim (acho que ele mudou de fila). Ao pagar a conta me sobraram as tais moedas de um real na mão. Resolvi deixar uma no balcão de propósito para analisar a reação do velho... Então fui saindo de repente... "Jovem!..." Virei-me lentamente... e respondi "Senhor...?" com uma voz de quando tenta-se disfarçar muito bem um desconforto... o velho me falou "Esqueceu o seu dinheiro, pegue..." então peguei meu dinheiro e fui embora... Segundos demoraram esta ação. Porém não conheço aquele velho, nem sei nada de sua vida, somente tentei ler o seu olhar na hora que me devolveu o dinheiro, que dizia "Tive tantas oportunidades de me dar bem na vida e não as fiz rapaz, por causa de meus príncipios, não será uma moeda de 1 real que irá me fazer mudar depois de velho, mesmo você me vendo muito necessitado..." naquele momento em milésimos de segundo me fui tentado a dizer "pegue fique para o senhor", mas isso seria uma enorme demonstração de quanto não entendi a mensagem de um herói. A ação, e aqueles olhos estavam com mais cara de querer mostrar dignidade, e sua busca embora as vezes, pareça ser "inútil" essa busca em uma sociedade que aplaude tudo que for imoral, tudo que for falso, mentiroso e forçado, porém que mantenha a aparência, ou a maioria. Realmente aquele velho ia na contramão da sociedade, é preferível isso do que simplesmente necessitar ficar com 1 Real,(e este 1 Real as vezes são tantas coisas em nosso dia-a-dia... Bom... foi hoje e talvez aquele velho que me abrira os olhos, para esta importante idéia, A DIGNIDADE tão querida e tão negligenciada...
Ao Herói de todos, mas que talvez nunca conheceremos... desconhecido por mim, conhecido como "velho"...  

quarta-feira, 27 de julho de 2011

A minha poesia

por enquanto não se fez.
vai se fazendo, não tendo vez.
não serve pra libertar lendo,
não serve para deixar angustiado a chorar;
serve pra te aprisionar.
as vezes serve pra deixar revoltado,
na minha poesia pouco tem de angústia,
tem mais concreto, pedra e asfalto;
parece mais um bêbado, vencido e caído
falando de algo que ninguém quer dar ouvidos
a minha poesia serve pra mostrar
tudo e ao mesmo tempo nada.
pra ser flecha, arco e ferido morto na calçada.
pra demonstrar que o que eu sinto
não tá valendo quase nada...
e que o dinheiro vai comprando o sangue.
pelo adentrar dos bailes pela madrugada,
serve pra me mostrar de besta, ou vagabundo
serve pra mostrar a minha egoísta volta ao mundo
serve pra dizer a todos que não serve pra nada
e de tudo que conseguir escrever
eu sou bem mais profundo...
e bem mais molhado que a água...